Guimarães 2012 em dias de balanço

NoiteBranca.IvoRainha

Guimarães reviveu alguns dias como Capital da Cultura, cerca de 6 meses depois do encerramento oficial do evento. Esta celebração, que decorreu ao longo de duas semanas, permitiu ver o resultado final de alguns projetos que estiveram em curso em 2012, e que só agora foram concluídos. É o caso de produções da área do cinema ou dos catálogos resultantes de trabalhos expositivos. Houve ainda a possibilidade de recuperar segundas e terceiras edições de eventos – que em momentos anteriores já tinham ocupado a cidade – como a “Noite Branca”, e que no Sábado passado juntou centenas de pessoas no Centro Histórico.

Um segundo momento foi marcado pela avaliação do impacto social e económico desta Capital da Cultura. Os estudos levados a cabo pela Universidade do Minho concluíram que o evento contribui com 85 milhões de euros para o PIB português, criou mais de 2000 postos de trabalho e fez aumentar o turismo. Estes dados provam que “o projeto apresentado em Bruxelas foi cumprido. As capitais que estiveram cá vieram colher essa experiência e muitas consideram Guimarães uma boa prática e uma inspiração.” Diz Carlos Martins diretor executivo da CEC2012.

Houve ainda espaço para a conferência internacional “Cultura Capital: As Cidades 2020” que contou com a participação de investigadores, decisores culturais e políticos. “Estiveram presentes cerca de 20 outras capitais da cultura. Permitiu-nos refletir sobre uma escala, que vai para além de Guimarães e pensar no contributo deste projeto para as pequenas e médias cidades, numa fase em que elas se estão a repensar em termos estratégicos e de ciclo comunitários até 2020” refere Carlos Martins.

A questão do legado foi outro dos pontos que mereceu destaque estes dias. Registos e documentos – catálogos, livros sobre o programa cultural, um novo guia para a cidade ou um repositório digital – que têm como finalidade gerar dinâmicas de continuidade. “No fundo são documentos que ficam de memória e registo e permitem um novo trabalho de investigação e pesquisa no futuro. Quando iniciámos a candidatura de Guimarães a Capital Europeia da Cultura, fomos à procura de registos sobre outras Capitais e há pouca documentação. Isto acontece porque há tanta intensidade no projeto, que no fim as pessoas querem fechar contas. No nosso caso, como houve algum conforto, pudemos ir mais longe” afirma Carlos Martins.

Em tempos de balanço, e em dias pautados por um vasto programa intitulado “Celebração, Reflexão e Legado “, que fez a cidade reviver a agitação de 2012, Francisca Abreu, vereadora da cultura de Guimarães diz que “hoje, vimaranenses vêm cultura de uma outra forma porque participaram como protagonistas e surpreenderam-se. Subiram ao palco. A CEC esbateu distâncias entre artistas e não artistas. Fez desenvolver capacidades e competências para encarar a cultura como algo essencial.”

www.guimaraes2012.pt

Fotografia de Ivo Rainha