Paredes de Coura: festival de apostas nacionais

GrandFather's House tocam no último dia do festival

GrandFather’s House tocam no último dia do festival

Muito há que dizer sobre o festival Paredes de Coura, certamente, desde o cenário idílico, ao ambiente fantástico, enfim, do que se vive durante praticamente uma semana naquele lugar situado no Alto Minho. Interessa aqui falar sobre um cunho que este festival e esta organização tem cada vez mais vincado no cartaz que nos apresentam: é um cartaz recheado de nomes nacionais, do melhor que se faz por cá, sem medo de os inserir no palco principal. Sim, não é novidade para estes lados que se faça isso, mas é e será sempre de louvar que se continue a fazer esta aposta e mais do que isso, que se continue a alargar o número de bandas nacionais presentes.

Tal como no ano passado repete-se o  “Sobe à vila”, uma espécie de “festival” antes do festival, que tem como objectivo levar ao coração da vila a música que se ouvirá dias depois junto ao Taboão. Se olharmos para os três dias de duração do “Sobe à vila” encontramos praticamente uma dezena de projectos nacionais emergentes, que vão desde o Post-Rock e instrumental, à Pop descomprometida, passando também pelo Rock alternativo. Nomes como Pega Monstro, Duquesa, Galgo e Quelle Dead Gazelle, assumem-se como cabeças-de-cartaz deste warm-up que decorre nos dias que antecedem o início do festival. Há, porém, outros nomes a ter em conta como Paraguaii, Time for T ou Imploding Stars. É acima de tudo, uma selecção cuidada e fundamentada de bandas emergentes, para que estas se mostrem ao público de Coura. E haverá melhor público?

No festival em si há também um bom punhado de propostas nacionais a ter em conta espalhado pelos vários dias e palcos, com We Trust, Best Youth, Orelha Negra, Capitão Fausto, Bed Legs, Sean Riley & The Slowriders, First Breath After Coma, Grandfather’s House, Filho da Mãe & Ricardo Martins, Moullinex, entre outros. Enfim, muitas propostas, todas nacionais, que exemplificam o movimento atual da música feita por cá, com nomes mais e outros menos conhecidos, mas com qualidade comprovada para pisarem o palco do festival.

Certamente que o cartaz tem headliners capazes de ombrear com qualquer festival europeu, tais como os recém-retornados LCD Soundsystem, mas é ao não ter medo de arriscar e ter esse compromisso de dar lugar e espaço a bandas nacionais, sobretudo às novas e mais emergentes, que o festival Paredes de Coura ganha em relação à concorrência: na fidelização do público, ao respeito pelos músicos.

A melhor parte, é que já faltam poucos dias para começar.

José Manuel Gomes