Ver (esta semana) os cineastas de que vamos falar um dia destes

"Tangerine". O fenómeno indie norte-americano foi o filme de abertura do FEST

“Tangerine”. O fenómeno indie norte-americano foi o filme de abertura do FEST

Não é estranho o fenómeno de quem está sempre à procura da banda de que vamos estar todos a falar um destes dias. Mas, enquanto não há um Spotify para o cinema, o que fazemos? Podemos ir a Espinho. Até à próxima segunda-feira, o FEST – New Directors, New Films Festival mostra o novo cinema que se faz um pouco por todo o mundo e traz a Portugal um dos maiores realizadores vivos, Belà Tarr.

Ao longo de oito dias, o festival exibe 170 filmes oriundos de 35 países, mostrando assim um panorama do cinema que está a ser feito no mundo, com uma selecção de primeiras ou segundas obras de jovens cineastas. Das escolhas do festival há propostas de latitudes tão diversas como a Holanda e a Suécia, Taiwan, Egipto ou Filipinas.

O FEST começou esta segunda-feira com a ante-estreia nacional de “Tangerine”, filme do norte-americano Sean Baker sobre a prostituição transgénero em Los Angeles, e que tem tido uma carreira premiada em festivais independentes. Esta terça-feira, há outro promissor filme norte-americano, “The Fits”, de Anne Rose Holmer, retrato de uma jovem de 11 anos que pretende juntar-se a um grupo de dança moderna no West End de Cincinnati.

Na selecção de longas-metragens destacam-se ainda o documentário “Alisa in Warland” (de Alisa Kovalenko e Liubov Durakova, Polónia), “Flocking” (da sueca Beata Gardeler), “Easy Ball”, (Juan Fernandes Gebauer e Nicolas Suárez, Argentina) ou o documentário do português Pedro Magano, “Irmãos”.

O festival de Espinho tem ainda uma mostra competitiva de curtas-metragens, com propostas ficcionais e documentários, além de secções paralelas como a Be Kind Rewind – onde de exibem as novas obras de cineastas que já passaram pelo FEST – ou o Flavours of the World, uma mostra dos panoramas do cinema de diferentes países que tem como destaques nesta ano Portugal, Irlanda e Islândia.

Além das exibições de cinema, o FEST tem ainda uma componente formativa, o Training Ground, constituído por um conjunto de palestras, debates, workshops e masterclasses com grandes figuras da indústria cinematográfica nacional.

O principal destaque do Training Ground deste ano é porém a presença do realizador húngaro Belà Tarr, um poeta visual que é dos grandes cineastas vivos do cinema mundial. “O Cavalo de Turim”, de 2012, foi anunciado como o último dos seus filmes, mas foi apenas o primeiro a estrear comercialmente em Portugal. Depois disso, uma edição em DVD deu-nos a conhecer “O Tango de Satanás”, “O Homem de Londres” ou “Danação”, obras que lhe garantiram um lugar entre os mestres do cinema. Agora, temos a oportunidade de o ouvir falar da sua obra na primeira pessoa.

Entre os convidados incluem-se ainda Gemma Jackson, a designer de produção da série televisiva “Guerra dos Tronos”, Mark Sanger, editor de “Gravity”, Joe Walker, editor de “12 anos escravo” ou Gareth Wiley, o produtor que trabalhou com Woody Allen em dois dos seus títulos europeus, “Match Point” e “Vicky Cristina Barcelona”.