Um método perigoso – um filme para pensar

Venho de mais uma sessão de cineclube. Creio que a arte cumpre a sua função quando nos toca, quando nos faz pensar, questionar: no fundo a arte é arte quando tem a capacidade de alterar alguma coisa na face límpida do lago, mudar a posição dos átomos. Acredito nisso.

“Um método perigoso” é um filme perigoso para aqueles que ousam pensar.

Este filme fez eco. Fassbender é um denominador comum entre “Shame” e “Um método perigoso”, mas há muitos mais. O tema da sexualidade, os vícios, os traumas associados, o questionar das regras: da monogamia, do reprimir dos desejos… e fiquei com vontade de ler mais sobre as teorias da psicanálise, Freud, Jung …

Além de belo na sua imagem de filme de época, onde a sexualidade ganha uma dimensão estética ainda mais ousada precisamente pelo tempo em que se enquadra, e sobretudo se estabelecer como plano de referência o Shame, há neste filme imagens dignas de se imobilizarem para melhor serem apreciadas: o seio de Sabina espremido no corpete, com um mamilo que foge ao pano, a cena do banco junto ao lago, que retoma a mesma posição de doente e psicanalista agora invertidos nas suas cadeiras…

E depois há frases para repensar, para anotar no caderno da memória e teorizar interiormente sobre o assunto…  sobretudo aquilo com que Otto confronta  Jung (invertendo-se mais uma vez o papel de médico e paciente, e isso vai acontecendo mais vezes ao longo do filme). Das suas conversas estou a recordar uma sobre a necessidade de repressão sexual ser praticada numa sociedade racional, e no contraponto Otto afirma: “never repress anything”.